Constipacao Intestinal Cronica

Constipação Intestinal Crônica

A Constipação Intestinal Crônica é uma condição que afeta muitas pessoas, caracterizando-se pela redução da frequência evacuatória, dificuldade em eliminar as fezes, sensação de evacuação incompleta e fezes ressecadas. Vários fatores podem contribuir para essa condição, que vai além do desconforto, podendo afetar significativamente a qualidade de vida.

É um dos transtornos gastrointestinais funcionais mais comuns, com elevada prevalência na população, acometendo 16% dos adultos e 33% dos indivíduos acima de 60 anos, especialmente mulheres, que apresentam uma prevalência de 3:1 em relação aos homens.

Além disso, estima-se que cerca de 20-25% dos pacientes com constipação crônica, ou aproximadamente 7% da população geral, apresentem sintomas relacionados à evacuação obstruída. Essa condição pode estar associada à presença de retocele, contração paradoxal do músculo puborretal e/ou força de propulsão retal inadequada.

Para um diagnóstico adequado, é essencial a utilização de critérios objetivos na avaliação da constipação intestinal. No contexto da medicina, empregam-se critérios clínicos estabelecidos, como os Critérios de Roma I, II, III e IV, além da avaliação da consistência das fezes e escalas de qualidade de vida. O estudo da constipação intestinal crônica é uma área de grande relevância no curso de medicina, pois permite aos futuros profissionais compreenderem a fisiopatologia e as melhores abordagens terapêuticas para essa condição.

 

Principais Causas da Constipação Crônica

  • Dieta Inadequada: Uma alimentação pobre em fibras é uma das principais causas. As fibras ajudam a formar o bolo fecal e facilitam seu trânsito pelo intestino.
  • Baixa Ingestão de Líquidos: A desidratação pode tornar as fezes secas e duras, dificultando sua passagem.
  • Sedentarismo: A falta de atividade física reduz a motilidade intestinal, essencial para a movimentação das fezes.
  • Efeitos Colaterais de Medicamentos: Muitos remédios, incluindo analgésicos opióides e antidepressivos, podem causar constipação como efeito colateral.
  • Condições Médicas: Doenças como diabetes, hipotireoidismo, doença de Parkinson e outros distúrbios neurológicos podem predispor à constipação.

 

Estratégias Eficazes para Alívio

Em cerca de 70% dos casos, a constipação intestinal crônica apresenta melhora significativa com medidas higieno-comportamentais, como as descritas abaixo. No entanto, em casos refratários, torna-se fundamental a avaliação especializada, que pode incluir exames complementares como manometria anorretal, videodefecografia, ressonância magnética do assoalho pélvico e tempo de trânsito cólico. Além disso, em pacientes com fatores de risco para câncer colorretal, a realização de colonoscopia é indispensável.

  • Enriquecendo a Dieta com Fibras: O consumo de alimentos ricos em fibras, como frutas, verduras, leguminosas e grãos integrais, é fundamental.
  • Manutenção da Hidratação: Ingerir uma quantidade adequada de líquidos, especialmente água, auxilia na formação de fezes macias.
  • Promoção da Atividade Física: Exercícios regulares, como caminhadas, estimulam a motilidade intestinal. Recomenda-se pelo menos 20 minutos de atividade física por dia, três a quatro vezes por semana.
  • Estabelecimento de Uma Rotina de Banheiro: Criar o hábito de ir ao banheiro em horários regulares, principalmente após as refeições, contribui para a regulação dos movimentos intestinais.
  • Uso Cauteloso de Laxantes: Embora possam ser úteis em casos de constipação severa, o uso contínuo de laxantes deve ser monitorado por um profissional de saúde para evitar dependência.

Além dessas medidas, é essencial buscar acompanhamento médico, especialmente em casos de constipação intestinal crônica e refratária. A medicina oferece uma variedade de abordagens para avaliação e tratamento dessa condição, permitindo que cada paciente receba um plano terapêutico personalizado.

O curso de medicina da Faculdade Santa Marcelina enfatiza a importância da abordagem clínica e preventiva no manejo da constipação crônica, preparando os alunos para oferecer diagnósticos precisos e tratamentos eficazes. Com uma combinação de mudanças no estilo de vida, ajustes na dieta e intervenções médicas adequadas, é possível controlar a constipação crônica e melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes.

Isaac José Felippe Corrêa Neto

Graduação em Medicina pela Faculdade de Medicina de Itajubá (MG) em 2004; Residência Médica em Cirurgia Geral e Coloproctologia pela Casa de Saúde Santa Marcelina (SP); Pós-graduação latu sensu Complementação especializada em fisiologia anal pelo Instituto Central do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (SP); membro titular da Sociedade Brasileira de Coloproctologia e Colégio Brasileiro de Cirurgia; Médico assistente do Serviço de Coloproctologia e do Departamento de Cirurgia Geral do Hospital Santa Marcelina e médico assistente colaborador da Disciplina de Coloproctologia do Departamento de Gastroenterologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP); Professor das disciplinas de Semiologia e Propedêutica Médica e Cirurgia Geral do curso de Medicina da Faculdade Santa Marcelina; Mestre em Ciências em Gastoenterologia HCFMUSP (2015); Doutor em Ciências em Gastroenterologia HCFMUSP (2020); Pós doutorando da Universidade de São Paulo; Medico do Setor de Motilidade Digestiva Baixa e Anuscopia do Fleury. Linhas de pesquisa em assoalho pélvico e fisiologia colorretoanal

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