Foram analisadas as principais abordagens cirúrgicas de Gastrosquise pós-natal atualmente, que são o fechamento primário e a utilização de silo, cada qual com suas inerentes possíveis complicações, e chegou-se à conclusão de que ambos os métodos cirúrgicos apresentam resultados equivalentes, de modo que fica a critério do cirurgião ou da equipe optar pelo tratamento a ser realizado, baseado nas capacidades e nas características do paciente, ou seja, uma abordagem “taylor made”.
Gastrosquise, derivada das palavras gregas “gaster”, que significa “barriga”, e “schisis”, que significa “fenda”, foi a primeira descrição na literatura por Calder em 1733.1 Têm-se por gastrosquise um defeito da parede abdominal paraumbilical à direita, geralmente associado à evisceração do intestino e, às vezes, a outros órgãos abdominais; difere-se da onfalocele, defeito similar, na medida em que não apresenta envolvimento do cordão umbilical e nem do peritônio.
A herniação intestinal que ocorre nesta malformação é passível de levar a uma variedade de anormalidades intestinais, já que o suprimento sanguíneo mesentérico pode ficar comprometido, bem como a exposição prolongada do intestino ao ambiente tóxico do líquido amniótico, que pode resultar em alterações inflamatórias na parede intestinal. Ainda, o aumento do risco de morte fetal pode estar relacionado à restrição de crescimento, compressão do cordão, presentes na gastrosquise ou em outros fatores indefinidos.
Gastrosquise, cirurgia em Recém- Nascidos
Observou-se, ainda, que, após o nascimento, o recém-nascido requeria cuidados especiais devido ao intestino exposto, vez que isso aumenta as perdas sensíveis de calor e fluidos em até 2.5 vezes, se comparadas às de um neonato saudável4. Infere-se, pois, que muitos recém nascidos foram a óbito nos primórdios da cirurgia corretiva por desconhecimento da comunidade médica em relação aos melindres da abordagem; portanto o defeito deve ser corrigido o quanto antes, o que pode ser difícil, seja pela malformação de grande tamanho e/ou pela herniação de outros órgãos; apesar disso, o prognóstico costuma ser favorável.

Abordam-se, neste estudo, os métodos cirúrgicos atualmente mais usados, que são o fechamento primário e a colocação de silo, de modo a se buscar avaliar as vantagens e as desvantagens dos mesmos, tendo em vista possíveis complicações, a taxa de mortalidade e as indicações.
A gastrosquise é o defeito mais comum da parede abdominal fetal: sua prevalência é de aproximadamente 3 a 4 a cada 10.000 nascidos vivos, óbitos fetais, natimortos, término da gravidez, e sua incidência é semelhante em fetos masculinos e femininos e maior em gestações únicas do que em gêmeas Estudos em todo o mundo têm relatado consistentemente que mulheres jovens com menos de 20 anos de idade têm uma taxa de prole com gastrosquise muito mais alta do que a população obstétrica geral, e, provavelmente, isso está relacionado aos fatores do estilo de vida que caracterizam essa população (por exemplo, tabagismo, uso de drogas recreativas, consumo de álcool, baixo índice de massa corporal, aumento da frequência de infecção geniturinária), o que realça ainda mais a importância desse defeito congênito na população mundial.
Além disso, os países ricos, bem como países com recursos limitados, relataram uma incidência crescente de gastrosquise1, e é por conta da epidemiologia aqui exposta que se faz interessante saber sobre avanços em relação à abordagem cirúrgica que foram feitos nos últimos anos e como essa malformação é tratada atualmente.
Ao revisar uma série de artigos relacionados ao tema, percebe-se que, atualmente, os métodos mais prevalentes são o fechamento primário e o manejo com o uso do silo, cada um com suas vantagens e desvantagens, porém evidenciando resultados equivalentes.
Denota-se autonomia do cirurgião em escolher que tipo de abordagem usar, sempre a se considerarem as características específicas para cada caso e tendo em vista suas fragilidades, o que sugere um tratamento customizado a ser definido após análise minuciosa.
Os autores Dr. Guilherme Carvalho Marques Costa e Dr. Kleber Sayeg assinam este artigo, e pode ser lido por completo na Revista Archives of Medicina, Health and Education da Faculdade Santa Marcelina.